O futuro do Memphis Grizzlies tem nome e Zach Randolph sabe disso

Estrelas do passado podem opinar com certeza sobre o futuro



Com a temporada 2019/20 da NBA de volta, alguns questionamentos sobre futuro de equipes estão surgindo ou se intensificando. O Memphis Grizzlies é talvez o time menos falado, mas é preciso prestar atenção. Para o retorno, é difícil afirmar que a equipe conquistará vaga nos playoffs e atingirá bons níveis, mas o que vem depois é digno de se observar. 

Equipes pequenas têm suas histórias ignoradas constantemente, e isso é um fato percebido em todos os esportes. Apenas quando elas se colocam no radar, ganhando de um time gigante, alcançando uma inestimável posição ou revelando algum jogador é que as pessoas as enxergam. Portanto, cabe a quem faz parte da modesta história desses times contar situações, momentos, fazer observações, comentar sobre o passado e projetar o futuro.

Zach Randolph é o melhor contador de histórias nesse sentido. No início era tudo confusão, mas terminou como o rosto de uma modesta franquia e como um cidadão honorário de uma cidade musical no Tennessee. Como uma dança para os olhos dos torcedores do Memphis Grizzlies, o jogador emergiu ao lado de outros três “desacreditados” e formaram o famoso Grit N’ Grind [falo disso aqui]. Com seu envolvimento com a franquia e com a comunidade memphiana, é interessante ter Z-Bo como uma referência positiva sobre o passado da equipe, sobretudo sobre o futuro.

“ELE É COMO EU”


Recentemente, Zach Randolph foi personagem de uma honesta reportagem do Bleacher Report sobre Ja Morant e o futuro do Memphis Grizzlies. Intitulada “Ja Morant mudou tudo”, a matéria dispõe reações de Z-Bo a respeito do novo rosto da equipe e suas considerações a respeito do futuro. “Ele poderia ser meu filho”, começa a fala. Marcando presença no Fedex Forum sempre que possível, o ídolo se aproximou de Ja o necessário para defini-lo:
“Ele é como eu. Jogador de colarinho azul. Honesto. Humilde. Coração de um gigante. Ele retribui. O povo de Memphis vê que Ja também é igual a eles: um trabalhador esforçado, onde nada foi dado a ele”, afirma com a propriedade de quem se reencontrou na cidade.

Assim, é fácil entender porque uma pessoa como o Zach Randolph é tão importante na construção de histórias. Quando ele observa e pondera pontos dessa natureza sobre um recém-chegado, ele quer dizer algo. Como alguém que fez parte de uma leva positiva de atletas vestindo a camisa do Memphis GrizzliesZ-Bo só tem pensamentos positivos para a NxtGen (next generation — “nova geração”). E, ele tem razão em pensar como uma geração e não como um curto período, como todos esperam a respeito ainda do retorno da temporada na NBA.

Na mesma matéria, algumas pessoas deram declarações sobre Ja Morant e destacaram alguns pontos importantes sobre mentalidade. Zach fala sobre liderança, enquanto Jaren Jackson Jr pondera mentalidade e sede de vitória, como resultado de dúvida ou subestimação. Taylor Jenkins prefere observar como Ja é estudioso em relação ao basquete e seus adversários. Mark Griffin, gerente de um restaurante Huey’s e torcedor dos Grizzlies desde sua existência revelou ter amado o armador de Murray State logo de cara.

O INÍCIO DA PRÓXIMA GERAÇÃO

Essas impressões não são a toa. A cada partida assistida do Memphis Grizzlies, e essa que vos escreve é suspeita para falar, é divertido ver como essas declarações são verdade. Ja Morant é jovem, mas sua mentalidade o transforma em um atleta com muita maturidade dentro de quadra. Como Jaren comentou, o garoto de 20 anos parece uma extensão do treinador. Seus 17.6 pontos e 6.9 ​​assistências por jogo não foram dados a ele, foram conquistados.

Jogar numa equipe como os Grizzlies é, à sua maneira, desafiador. O time com ele foi de 33–49 na temporada 2018/19 a 32–33 na atual e isso é digno de aplausos já que várias estatísticas lembraram a última temporada de ida aos playoffs (2016–17). Na ocasião, sob o comando de David Fizdale, o time teve um recorde de 49–33 com rating ofensivo de 107.7 e defensivo de 107.1. Foi o último ano que o Grit N’ Grind esteve reunido, mas o impacto foi deixado. Embora tenha demorado, essa atmosfera tem sido redesenhada por Ja MorantJaren JacksonBrandon ClarkeDillon Brooks e companhia.

PRIMEIROS PASSOS

A reformulação de elenco do Memphis Grizzlies começou com o Draft de Dillon Brooks para a temporada 2017–18. Com um elenco grande em quantidade, porém devendo em qualidade, a equipe teve 22 vitórias e 60 derrotas com Brooks tendo um desempenho de 11 pontos, 1.6 assistências e 3.1 rebotes em 28 minutos jogados. Querido pela torcida, ele sempre foi a aposta. No entanto, na temporada seguinte ele mal jogou devido à lesões recorrentes, justamente quando um “socorro” chegou para ele: Jaren Jackson Jr (falarei a seguir). A quarta pick do Draft ajudou a equipe a conquistar 33 vitórias e 49 derrotas, uma considerável melhora. Juntamente com eles, a mudança de treinador e a chegada de outras peças jovens resultou em uma tentativa de formação de elenco sólido que não deu certo.

E, aí no meio da temporada 2018–19, Marc Gasol disse adeus e foi para o Toronto Raptors, onde seria campeão mais tarde, e a reformulação realmente deu passos largos. A troca com o time canadense rendeu ao Memphis Grizzlies os jogadores Jonas ValanciunasCJ Miles e Delon Wright e uma pick de segundo round em 2024. Destes, apenas Valanciunas permanece no elenco atualmente, e é o mais explicável. Sua produção, fazendo média entre desempenho nos Raptors também, foi de 15.6 pontos e 8.6 rebotes. Já na temporada atual, ele caiu de rendimento na pontuação (14.9), mas seus rebotes por jogo chegam a 11.2.

Na mesma temporada, outro ídolo disse adeus. Mike Conley deixou Memphis e rumou para o Utah Jazz justamente quando a equipe draftou um dos melhores prospectos de sua história: Ja Morant. Junto com ele, um verdadeiro steal TEM que ser destacado: Brandon Clarke.

JA MORANT

Segunda pick do Draft de 2019, Ja Morant roubou corações. Naquele dia, o Memphis Grizzlies escolheu um garoto que havia dado todo o seu amor por uma faculdade e a colocado no radar. Em duas temporadas por Murray State, ele demonstrou um impacto muito interessante.

Na temporada 2017–18, Ja esteve meio tímido, visto que era seu primeiro ano. Mesmo assim, ele teve médias de 12.4 pontos e 6.4 assistências, e Murray State terminou com um recorde de 26 vitórias e 6 derrotas. Na temporada 2018–19, porém, ele terminou com médias incríveis de 24.5 pontos e 10 assistências por jogo e sua faculdade teve o recorde de 28–5. Seus dois anos por lá renderam playoffs, porém a equipe não passou do segundo round. Em contraponto, ele quebrou/atingiu alguns recordes pessoais.

  • Venceu o prêmio Bob Cousy de melhor armador do país e do Lute Olson, de melhor jogador;
  • Foi finalista do John Wooden Award (jogador nacional do ano);
  • Seleção de melhores jogadores da NCAA, sendo o primeiro consenso da OVC (Ohio Valley Conference) desde 1971;

  • Teve 331 assistências pelos Racers, ou seja, a sexta maior marca da história do College;
  • Suas médias de 2018–19 superaram uma marca de 1983–84;
  • Jogador do Ano de 2019 e Atleta Masculino do Ano, além de MVP do Torneio da OVC;
  • Tem sua camisa 12 aposentada.

NO MEMPHIS GRIZZLIES


No Memphis Grizzlies, o impacto de Ja Morant é igualmente gigante. Em 59 jogos, ele atingiu médias de 17.6 pontos, 3.5 rebotes e 6.9 assistências, podendo quebrar recordes da franquia. Em 1996–97, Shareef Abdur-Rahim, o novato do Vancouver Grizzlies, anotou 18.7 pontos por jogo e essa é a maior média de pontuação até então. Outra estatística completamente alcançável é a de assistências: em 1998–99, o rookie Mike Bibby teve 6.5, número que Morant já tem. Além disso, ele lidera os novatos em pontos, assistências e eficiência (18.10).

BRANDON CLARKE

O maior steal do Draft 2019 (com ou sem clubismo), Brandon Clarke é um atleta “rodado”. Antes de chegar a Gonzaga, de onde saiu para o Memphis Grizzlies, ele atuou por San José State. Por lá, ele atuou em 2015–16 e 2016–17, ano que ele atingiu médias de 17.3 pontos. Em 2018–19, então, ele se transferiu para Gonzaga e lá fez seu nome. Em 37 jogos, teve 16.9 pontos, 8.6 rebotes e 1.9 assistências de média. Esse curto período, porém, foi suficiente para que ele atingisse a posição de líder de tocos em uma temporada pela faculdade com 117, além de liderar em rebotes com 317 (sendo 203 defensivos). Lá ele também foi:

  • Sexto homem do ano em Mountain West (2016);
  • Primeiro time Mountain West (2017);
  • Equipe defensiva de Mountain West (2017);
  • Terceiro time All-American pela Associated Press (2019);
  • Primeiro time da West Coast Conference (2019);
  • Jogador defensivo e novato do ano do WCC (2019) — primeira vez que isso aconteceu.
  • Sua temporada pelos Grizzlies proporciona questionamentos sobre o motivo dele ter caído tanto no Draft, já que foi apenas a 21ª escolha. Saindo do banco na maioria das partidas, Brandon Clarke teve 12 pontos, 5.8 rebotes e 1.4 assistências. Entre os rookies, ele é o segundo em eficiência (16.28), rebotes e o terceiro em tocos (0.84). Com números assim e mostrando jogo a jogo sua versatilidade é importante destacá-lo como uma joia.
JAREN JACKSON JR

Voltando à temporada de 2018–19, o Memphis Grizzlies seguiu sua ideia de reconstrução quando escolheu um ala-pivô na quarta posição do Draft. Antes da NBAJaren Jackson Jr defendeu Michigan State e por lá teve médias de 10.9 pontos, 5.8 rebotes e três tocos. A última estatística, aliás, pensando em total (106) é a maior marca atingida por um jogador em uma única temporada pela faculdade. Além disso, ele deu 8 tocos diante de Rutgers, sendo o segundo atleta da história a atingir tal marca.
  • Time defensivo do ano da Big Ten (2017);
  • Time do ano da Big Ten (2017);
  • Novato e jogador defensivo do ano da Big Ten (2017);

Em sua primeira temporada pelos 
GrizzliesJaren teve 13.8 pontos, 4.7 rebotes e 1.4 tocos. Na temporada atual, ele melhorou em pontos (16.9) e tocos (1.6), mas manteve os mesmo 4.7 rebotes. Quando foi draftado, ele jamais saberia que no ano seguinte encontraria um fit tão legal quanto com Brandon Clarke. O atleta é um potencial defensor dominante e, com isso, melhorou defensivamente no que corresponde ao perímetro. No entanto, precisa ainda prestar atenção nas faltas pessoais (quatro de média atualmente).

O FUTURO DE MEMPHIS TEM NOME E ZACH RANDOLPH SABE DISSO

Talvez seja mais interessante pensar neste trio como o futuro, mas também é justo pensar em quem irá liderar. O que Zach Randolph reflete na matéria e que eu trago aqui é um bom indicativo do motivo para tal pensamento. Ja Morant, em uma posição diferente e começando “do zero”, tem uma personalidade que combina 100% com o que é o Memphis Grizzlies. Por isso, ele é a peça chave para desenvolver seus companheiros. E, apesar da mentalidade estar no retorno da temporada da NBA, é o futuro que faz os olhos dele e dos torcedores brilharem. É a partir de uma jornada completa, com todas as peças, como Justise Winslow e DeAnthony Melton, se divertindo juntas que os resultados definitivos podem aparecer. E, a torcida confia nisso.

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**esse post foi publicado originalmente por mim no site Área Restritiva eme 18 de julho de 2020, hoje sem atribuição meu nome.
Vitória Corrêa

Jornalista amante de esportes, música, gatos, tecnologia e muito mais!

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