Daniel Sturridge não é o único problema do Liverpool

Com um título chamativo assim é claro que você deve ter se perguntado: "Não?" Afinal, o atacante inglês tem sido um dos que menos renderam frutos nessa temporada, principalmente nos últimos jogos, mas no momento ele não é o nosso maior problema.
Nem de longe. Culpá-lo pelo desempenho de um Liverpool refém da ausência de Philippe Coutinho de novembro a janeiro, Jordan Henderson no mesmo período, e que perdeu ainda Sadio Mané para Copa Africana de Nações é, no mínimo, injusto. Ok, ele vem perdendo alguns gols incríveis e é claro que eu não passei a mão na cabeça, mas não é um caso isolado. Vamos aos fatos: desde a lesão de Coutinho, em novembro, o time não está jogando como estava quando foi líder e depois sustentou por várias rodadas a vice-liderança. O futebol de Adam Lallana foi embora com 2016 e Jurgen Klopp tem agido equivocadamente também, afinal ele é quem escolhe quem será titular nas partidas e também quem sai para uma substituição, e é nisso que ele erra. "Ah, mas o Klopp sabe o que faz." Ok, ele é o treinador, ele conhece sua equipe, mas demorar para alterar o time ou tirar sempre o melhor em campo para colocar um volante para contenção é uma decisão, no mínimo, curiosa. Esse papo sobre o treinador rende bastante, mas eu estou aqui para falar de Sturridge.
Com 45 gols em 86 partidas disputadas, Sturridge ainda é um de nossos melhores jogadores, mas está em má fase. O cara jogou apenas 520 dos 1980 minutos na Premier League essa temporada e o que pode explicar é o esquema tático adotado por Klopp: um 4-3-3 ofensivo em que o trio de frente é formado por Coutinho, Roberto Firmino e Sadio Mané, em que um atacante de área não se encaixa! Na verdade, nem mesmo quando a equipe joga no 4-4-2 Sturridge tem chance, pois Divock Origi é quem faz a dupla de ataque com Firmino que, mesmo sendo um meia-atacante, atua como 'falso 9'. Além do mais, todo mundo sabe que o atacante inglês já sofreu muito com lesões e que evitar contato ou de dar um pique do meio campo até a grande área pode explicar a sua displicência em algumas situações. "Dar um pique do meio de campo até a grande área" é uma coisa cada vez mais rara de acontecer, porque por mais que ele ainda ocupe vários espaços, o atacante não se dispõe a correr de fato. Mas, se algo ainda lhe dá algum crédito, é sua mobilidade: ele tem saído mais da área e criado oportunidades. O problema está na finalização final, tanto dele quanto de seus companheiros de equipe.

Sturridge passou (passa) a maior parte do tempo nesta temporada no banco, e nas outras temporadas (exceto 2014) ele vivia no departamento médico, mas sempre que voltava fazia gol. A diferença das demais temporadas para essa é que ele era colocado em campo como titular. Agora, desfavorecido pelo esquema tático que exige muita velocidade e também jogando com cautela, o atacante não consegue render o esperado. Mas, para exemplificar o título desse post, eu posso usar o Firmino para comparar, afinal ele é o jogador de frente que mais atuou nesta temporada - jogou 1346 minutos A MAIS que o inglês -, porém não se distancia tanto quando a questão é chutes por jogo e ao gol. Origi é outro exemplo: ele tem UM gol a mais que Sturridge, entre copas e Premier League (tem 4 gols no campeonato, na Copa da Liga ele tem 3 e na FA Cup tem um (marcado recentemente na derrota para o Wolverhampton pela FA Cup [leia aqui]), enquanto o atacante inglês tem 2 gols na PL, 4 na Copa da Liga, um pela seleção inglesa e nenhum na FA Cup). Detalhe: jogando menos minutos. Aí eu pergunto: "por que tanta irritação com ele, sendo que a equipe está abaixo do que pode render?" É claro que os gols que ele perdeu poderiam ter nos ajudado, mas o time todo está abaixo, mais um exemplo é o fato do Coutinho ter sido titular apenas duas vezes desde que retornou e, embora não esteja 100%, sempre pode desestabilizar as defesas adversárias, mas nem mesmo isso.
Aproveito, também, para cutucar Jurgen Klopp: Eu sei que ele deu entrevistas dizendo que não precisa contratar nessa janela, mas a verdade é que era necessário sim. Com a ausência de Mané e recuperação cautelosa com Coutinho, contratações seriam bem-vindas, não só para o ataque, mas como para a defesa também. Além do mais, Klopp é um pouco "cabeça dura": demora tempos e tempos para mexer no time, e se tem algo na cabeça, é difícil tirar. Ele é bem 'paizão' com os jogadores, e também querido pelos torcedores que vão ao estádio, mas no mês de janeiro (tão importante para se firmar na busca de algo no campeonato) ele pareceu bastante apático à beira do gramado e isso se refletiu em campo.

"Se ele não faz um gol, você está, basicamente, jogando com 10 jogadores." Jamie Carragher foi quem disse isso sobre Sturridge e eu tive que rir. O nosso ataque sumiu e a culpa é toda do Sturridge? O time nem sequer tem um centro-avante de área como era Christian Benteke (e em algum momento é necessário usar esse tipo de jogador mesmo que seu esquema não o utilize). As bolas tem que chegar para o nosso camisa 15, afinal, é o cara mais avanço, certo? Porém se as bolas não chegam ou chegam sem condições de recebe-las, o que ele pode fazer? Sair da área para chamar o jogo ele sai, mas quem fica em "seu lugar" não corresponde. Fácil escolher o atacante como culpado, justamente o último homem, o que não pode jogar se não jogarem com ele.

Na última terça-feira, o Liverpool enfrentou o Chelsea pela Premier League e empatou em 1 a 1 [leia aqui]. Sadio Mané se reintegrou ao elenco dos Reds após eliminação de Senegal da Copa Africana de Nações, mas jogou apenas 15 minutos. Sturridge nem entrou em campo.
Vitória Corrêa

Jornalista amante de esportes, música, gatos, tecnologia e muito mais!

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