Dica de Livro | Resenha de "Gol da Alemanha"

 

Tática: arte de dispor e manobrar as tropas no campo de batalha para conseguir o máximo de eficácia durante um combate.
Quando uma garota diz que gosta de futebol as perguntas mais frequentes são "Você sabe o que é escanteio?" e "Você sabe me dizer qual a escalação do seu time?", entre outras, mas mal sabem eles que isso está longe de ser entender de futebol. Escalação, tática, estratégia de jogo: tudo isso nós sabemos, nós entendemos e assim como um garoto, nós queremos conversar sobre.

Quando eu comecei a acompanhar futebol de forma diária eu não sabia quase nada, além de chutar, fazer gol no outro lado, etc, coisas básicas. Conforme o tempo passou comecei a entender e a me identificar com uma parte do campo: a defesa, comecei também a prestar mais atenção nos zagueiros e goleiro do meu time, o São Paulo, e mais tarde com Muricy Ramalho passei a gostar de tática. No tricampeonato brasileiro do tricolor (2006/2007/2008), Muricy era o treinador e após assumir a equipe em 2006, mudou o esquema tático para o 4-4-2, com duas linhas de quatro (dois zagueiros, dois laterais, dois volantes e dois meias avançados) e uma linha de dois atacantes. Campeão em três dos quatro anos que treinou o São PauloMuricy trocou o esquema para o 3-5-2 em 2007 e manteve a competitividade, pois apesar de parecer "retrancado", os cinco "meias" (havia meias e alas) davam muita opção para o ataque mortal do tricolor. Para resumir e não se perder no personagem, Muricy é o grande responsável por despertar minha atenção para táticas. Depois dele, eu comecei a acompanhar outros times brasileiros e não apenas o meu e isso ampliou ainda mais minha visão e, embora praticamente todos os times jogassem no 4-4-2, as variações tanto de ataque quanto de defesa durante as partidas eram bem interessantes. Porém foi mesmo a partir do campeonato italiano que eu realmente vi que gostava de tática, afinal, a Itália é o berço dos esquemas táticos, de onde saiu Antonio Conte, Cesare Prandelli, Carlo Ancelotti, Massimiliano Allegri, entre outros nomes que fazem sucesso por seus esquemas diferentes, mas muito efetivos. 

Indo ao ponto mais importante deste post, lendo Gol da Alemanha eu descobri coisas que não sabia, encarei o 7 a 1 de outra maneira, pois eu não havia parado para pensar no real significado desse placar para os alemães. Descobri também vários dos esquemas táticos usados pela seleção alemã durante sua história e também por clubes alemães antigamente, além de ter descoberto um grande da história do futebol alemão: Ralf Rangnick. Foi só em novembro do ano passado que, depois de deixar de lado a leitura para focar no TCC do curso, eu consegui terminar e entender que o 7 a 1 não foi apenas uma goleada, mas um marco que levantou a autoestima dos alemães desde a recuperação do futebol após a Segunda Guerra Mundial.

RESENHA GOL DA ALEMANHA

Autores: Axel Torres e André Schön
Tradução: Thiago Arantes
Prefácio: Gerd Wenzel
Páginas: 202
Editora: Grande Área.

Para dar início, trago um trecho importantíssimo deste livro: 
[...] A revolução de Klinsmann consistia, basicamente, em "abrir a cabeça para o que vinha de fora". Ver o que estava acontecendo em outros países e pensar que, sim, havia coisas que poderiam ser usadas no futebol alemão para potencializar suas virtudes.  
[...] Joachim Löw começa a pensar em uma série de mudanças a partir do que vê ao seu redor: altera a posição de Schweinsteiger da ponta para o meio e aposta forte em Thomas Müller em seu primeiro ano como profissional (Van Gaal), intensifica o trabalho tático para roubar a bola no ataque e sair como flechas tocando em alta velocidade e com precisão (Klopp), usa o lado mais ofensivo de Khedira (Mourinho), utiliza Lahm e Kroos no coração do jogo em partidas contra rivais mais fechados e transforma Neuer em líbero para reduzir distâncias numa defesa que atua adiantada (Guardiola). A Alemanha da fusão. A Alemanha multicultural, e não apenas pela origem de seus jogadores: a Alemanha multicultural por suas influências. A ideia de Klinsmann levada à máxima potência e até mesmo além disso." - Axel Torres, Gol da Alemanha.
O livro, contado pelo jornalista esportivo espanhol Axel Torres e o professor de alemão André Schön, mostra a divergência de ideias e de conhecimento. Axel quis estudar alemão para poder ler bem os jornais alemães, mas o que ele não sabia era que o professor escolhido era um grande apreciador de futebol e fanático pelo Bayern de Munique. O 7 a 1 visto pelos olhos "clubistas" de um alemão e pelos olhos famintos por informação de um espanhol é tudo o que você, brasileiro, precisava ler para parar de encarar como o maior desastre entre todos os desastres. A obra sobre a recuperação alemã desde a Alemanha tricampeã coincidiu seu término com o fatídico dia 08 de julho de 2014, quando os alemães finalmente se viram no topo, mesmo antes de conquistar o título da Copa do Mundo

Gol da Alemanha, originalmente com o nome de Franz. Jürgen. Pep. (Franz Beckenbauer - Jürgen Klinsmann - Pep Guardiola), trata com total admiração os feitos alemães para se reerguer. Juntos, Axel Torres e André Schön traçam uma linha do tempo e descobrem os pilares da Alemanha campeã mundial em 2014.
Vitória Corrêa

Jornalista amante de esportes, música, gatos, tecnologia e muito mais!

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