Qual o problema com a defesa do São Paulo?

Para entender o que acontece com o setor defensivo do São Paulo é preciso falar de tática. 
Tática: arte de dispor e manobrar as tropas no campo de batalha para conseguir o máximo de eficácia durante um combate.
O elenco do São Paulo Futebol Clube está recheado de ótimos jogadores, isso é um fato. Tem velocista, tem aquele volante de contenção, tem volante mais ofensivo, tem pontas esquerda e direita, tem atacante moderno, mas também tem o velho e bom centro-avante de área, tem também jogadores recém promovidos da base pelo treinador Rogério Ceni, definitivamente o elenco tem diversidade. Mesmo com tantas peças à disposição, Ceni não enfrenta dificuldades e tem feito rodízio de atletas por posição, um ponto positivo, pois desta forma todos os jogadores tem sua oportunidade de mostrar trabalho.

O ataque

O ataque tem funcionado muito bem até aqui: com nove jogos disputados na temporada, o tricolor possuí seis vitórias, dois empates e uma derrota, tendo uma série de seis jogos sem perder no Campeonato Paulista. Com cinco gols em cinco partidas disputadas, Gilberto é o artilheiro no campeonato, mas é seguido de perto por Lucas Pratto que, com dois apenas dois jogos, tem três gols.

Rogério Ceni foi goleiro, mas todos sabem o quanto ele gostava de participar de jogadas de ataque no São Paulo. Cobrador nato de faltas e pênalti, hoje ele faz do tricolor um time muito ofensivo, o mais ofensivo que eu já vi em anos, inclusive. Para mostrar o quão ofensivo, tático e técnico está o São Paulo de 2017, separei um print de um dos gols do meia Cícero contra o PSTC, pela Copa do Brasil.
8 jogadores são-paulinos no ataque. 
  • Ponto 1: Transição. Transição é o que o São Paulo melhor tem, principalmente por causa do jogador em destaque. Cícero é o responsável por conectar defesa-ataque e, apesar de primeiro volante ser a função de João Schmidt, o camisa 8 dá a qualidade necessária de saída de bola.
  • Ponto 2: Coletividade. O São Paulo de Ceni é o mais coletivo possível com a bola nos pés. Após a saída de bola, feita de Schmidt para Cícero iniciar o ataque, com exceção dos zagueiros, todos os jogadores ultrapassam a linha central. Na imagem é possível ver a participação total dos jogadores, onde oito deles se dispõem à frente para tocar a bola até o momento da finalização. O jogador com a bola no pé (Cícero), recebe de Thiago Mendes, que devolve para ele. Na sequência, Cicero toca para o único são-paulino na área (Lucas Pratto) que faz um ótimo pivô e devolve, novamente, para o camisa 8 finalizar tranquilamente.
  • Ponto 3: Qualidade. Qualidade nos passes, qualidade na transição, qualidade e inteligência na criação de jogadas, esse é o São Paulo. Diferente do time do ano passado, muitas vezes apático, o tricolor 2017 tem muita solidez ofensiva, o setor de criação tem se mostrado cada vez melhor e com mais recursos.





Destaques da equipe - Lucas Pratto: centro-avante "raiz", o argentino já chegou roubando a cena no São Paulo. Com 3 gols em 2 jogos, Pratto não é apenas um fazedor de gols, ele também dá assistência, cria jogada e faz um ótimo pivô.


Christian Cueva: dono do meio campo são-paulino, não tem um torcedor que não goste. Dinâmico, tático e muito técnico, o habilidoso peruano “faz a festa” nas defesas adversárias.

Luiz Araújo: Um pouco fominha, mas tem capacidade para ir longe. Tem bom chute, força ofensiva, velocidade e habilidade, com calma irá se tornar uma peça indispensável ao São Paulo.

A defesa

O ataque funciona quase perfeitamente, mas o setor defensivo vem sendo o grande problema do São Paulo. No print abaixo, uma grande falha de posicionamento dos zagueiros, laterais e dos meias deixou espaços para os gols do PSTC. No primeiro gol, os jogadores adversários mal esperaram o juiz reposicionar a bola no círculo central e já iniciaram sua jogada de ataque. Aproveitando a marcação falha do meia Cícero (o primeiro circulado de verde ao lado do árbitro) e também abusando da velocidade de Carlos Henrique, o PSTC conseguiu com facilidade a infiltração na defesa são-paulina. Quando Carlos avança, Breno tenta o corte, mas acaba deixando mais espaço para o atacante adversário que, em seguida, deu um ótimo passe para Lucão. Lucão, então, ganhou do lateral Bruno e chutou forte para empatar a partida.
Com rapidez, Carlos Henrique chegou logo à entrada da área.
No segundo gol da equipe paranaense, após o cruzamento do lateral (o primeiro homem circulado da direita), Bruno cortou mal e deu chance para Carlos Henrique chutar no meio dos defensores. Detalhe: a bola foi recuperada pelo PSTC no setor onde estavam Thiago Mendes e Cícero.
A defesa do São Paulo esteve, mais uma vez, mal posicionada. 




  • Se por um lado Cícero está nos rendendo bons frutos no ataque, na defesa ele não tem ajudado muito. Desde o começo, Ceni deixou claro que queria que seus jogadores ajudassem no ataque e na defesa, pois isso diminuiria espaços e daria o ritmo necessário à eles. Mas não é só Cícero, os outros dois meias (Schmidt e Thiago Mendes) também tem péssima marcação, não acompanham os adversários e, de quebra, deixam espaços quando tentam se aventurar no ataque diante de um time que joga mais retrancado.
  • A lateral do São Paulo é uma grande incógnita e me irrita demais. Bruno é bastante útil no ataque, afinal seus cruzamentos já nos deram bons resultados, mas sua noção defensiva é preocupante. Buffarini que o diga! O lateral argentino começou muito bem no tricolor, mas ultimamente tem ficado no banco de reservas e quando entrou foi um tanto displicente, porém vale dar uma moral à ele quanto ao último jogo do São Paulo (contra o Santo André, pelo Campeonato Paulista), afinal ele foi um dos melhores da partida tanto na parte defensiva quanto na ofensiva. Por fim, com 20 anos, o lateral esquerdo Junior Tavares é a nossa grande aposta, mas assim como os outros dois citados seu problema defensivo é notável, o que o diferencia é que, por ser novo, ele deve evoluir com o passar do tempo (inclusive vem formando ótima dupla com o atacante Luiz Araújo no lado esquerdo).

Talvez a expressão “O ataque é a melhor defesa” tenha sido inventada pelo São Paulo, afinal quanto mais gols a equipe toma, mais ela faz. Mesmo com uma defesa tão vazada, a equipe de Rogério Ceni está invicta há cinco jogos no Paulista e tem proporcionado boas atuações. Acredito que a correção da defesa seja questão de tempo, afinal ainda estamos em um período de testes no tricolor, inclusive de esquemas táticos. Uma boa observação é o uso do sistema 3–4–3 pelo treinador que, embora tenha sido usado em um torneio amistoso de pré-temporada, não tomou gols. A parte ruim é que o ataque não funcionou. 

Usar o 3–4–3, 4–3–3, 4–4–2 ou qualquer outro esquema tático é uma decisão de Ceni e isso é uma definição que provavelmente ele já tem, mas isso se aplica apenas ao ataque. E para a defesa? Sem a bola, o São Paulo apaga, se esconde. Neste link aqui até cheguei a explicar como o time se defendia sem a bola e, embora tenha sido na pré-temporada, os jogos da Flórida Cup contra River-ARG e Corinthians, renderam um ponto positivo à equipe do Morumbi, visto que os dois times que se defendem bem. 

Faltam poucos meses antes do retorno do Campeonato Brasileiro, mas ainda há tempo para Rogério arrumar seu setor defensivo que, sim, possuí atletas de qualidade.
Vitória Corrêa

Jornalista amante de esportes, música, gatos, tecnologia e muito mais!

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